2016-2017 depois que o real perdeu quase um terço de seu valor em relação ao dólar neste ano, segundo a Datagro. O país está retomando a prática normal de vendas antecipada após dois anos de preços baixos, disse Plínio Nastari, presidente da consultoria com sede em Barueri, São Paulo, em entrevista na conferência da Organização Internacional do Açúcar, em Londres.

A crise política e econômica rendeu ao real o pior desempenho em relação ao dólar que entre 24 moedas de mercados emergentes monitoradas pela Bloomberg. Isso beneficiou os exportadores brasileiros porque o preço do produto é fixado em dólares americanos. Embora o real, que recuperou cerca de 11 por cento de seu valor desde que atingiu uma baixa recorde em setembro ainda possa cair mais, a pior parte da queda provavelmente já terminou, disse Jonathan Kingsman, autor de ‘O Cassino do Açúcar’, na conferência, na terça-feira.

“O preço do açúcar em centavos de real por libra está alto”, disse Nastari na terça-feira. “Os produtores brasileiros sempre fixaram o preço de suas exportações antecipadamente. Eles apenas reduziram a proporção nos últimos dois anos porque os preços estavam muito ruins”.

 

Preços do açúcar

O açúcar bruto pouco mudou em nova York neste ano após quatro prejuízos anuais seguidos, queda mais longa desde 1961, pelo menos. Segundo o preço fixado em reais, o açúcar subiu mais de 40 por cento e no início deste mês tocou o nível mais alto desde 2011, segundo dados compilados pela Bloomberg.

O dólar provavelmente continuará ganhando força com o Federal Reserve prestes a aumentar suas taxas e juros, isso não significa que a moeda brasileira se desvalorizará mais, disse Kingsman, que começou sua carreira na Cargill e acompanha o mercado do açúcar há três décadas.

“É possível que tenhamos visto o ponto mais baixo em setembro”, disse Kingsman, em referência ao real. “Ainda poderemos ver o real se desvalorizar lentamente”, ma isso não necessariamente empurrará os preços do açúcar para baixo, disse ele.

A venda de açúcar da safra do ano que vem com as fatias de cerca de 50 por cento da soja e de 45 por cento do milho. As usinas não estão vendendo tanto açúcar porque os preços domésticos estão mais altos do que os de exportação, disse Nastari. As vendas de açúcar cristal em São Paulo estavam 14 por cento mais rentáveis do que as exportações na semana que terminou em 13 de novembro, disse a Cepea, um grupo de pesquisa da Universidade de São Paulo, em um relatório no dia 16 de novembro.

Para aumentar as vendas antecipadas nas últimas semanas, as usinas têm vendido contratos futuros ou usado o mercado de opções, escreveu Arnaldo Luiz Corrêa, sócio da Archer Consulting, com sede em São Paulo, em um relatório no dia 14 de novembro. Os vendedores não deveriam perder a oportunidade de fixar os preços, disse ele.

 

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Produção de etanol de milho em Mato Grosso gera debate na Câmara dos Deputados; questão energética é prioridade.

entre os especialistas e setores do agronegócio, os deputados federais Carlos Bezerra (PMDB) e Fabio Garcia (PSB) assumiram a ponta do debate, na Câmara dos Deputados sobre o crescimento da fabricação de etanol de milho, em Mato Grosso.

Atualmente, Mato Grosso já transforma 220 mil toneladas de milho em 88 milhões de litros de etanol e essa indústria ten potencial para crescer muito mais em curto prazo.

Carlos Bezerra lembra que os produtores calculam que é possível chegar a 4 bilhões de litros de etanol por safra. “Um número impressionante, que é promessa de riqueza para o meu Estado”, disse ele, para a reportagem do Agro Olhar/Olhar Direto.

Bezerra disse que tem acompanhado o desempenho da indústria alcooleira mato-grossense ao longo dos últimos anos. Ele ressaltou o esforço dos empreendedores para chegar a esse nível de produção. “E também consigo perceber o tamanho dos possíveis benefícios à economia do estado se a tendência de crescimento da fabricação de álcool se confirmar”, argumentou o parlamentar do PMDB.

Fábio Garcia avalia que Mato Grosso foi o Estado onde se instalou a primeira usina “flex” do Brasil: uma usina capaz de produzir álccol tanto de cana-de-açúcar quanto de milho.

O deputado do PSB cita que foi no município de Campos de Júlio, onde uma destilaria que já produzia álcool de cana dede 2006 decidiu investir na adaptação de seus equipamentos ao uso do milho como matéria-prima.

Carlos Bezerra justifica que, na safra 2012/2013, o novo procedimento ainda estava em fase de testes, mas já produziu 12 milhões se litros do combustível. De lá pra cá, a produção continua aumentando, e a usina já consome mais de 20% de todo o milho produzido no município.

A segunda usina no estado a produzi etanol a partir do milho se instalou no município de São José do Rio Claro. Até o fim de 2014, eram só essas duas, mas ao longo deste ano os projetos de instalação de outras plantas seguem em diferentes fases de andamento.

Especialista em energia, Fábio Garcia lembra que o processo de fabricação do etanol a partir do milho tem subprodutos muito úteis. Cada tonelada do cereal gera quase 400 litros de álcool etílico, mas não só isso; também se produzem cerca de 18 litros de óleo, e 220 a 240 quilos de um farelo de milho conhecido como DDG. Esse farelo tem alto teor proteico e pode ser usado na alimentação animal, sendo bem mais barato que o farelo de soja.

“Minha empolgação vem da confiança em que o negócio do álcool pode ser benéfico para todos”, ponderou Bezerra. Além dos próprios empresários donos das usinas, também se beneficiam os produtores de milho, pelo aumento da demanda; os produtores de eucalipto, usado na secagem de grãos; e os pecuaristas, pela possibilidade de comprar uma ração mais barata.

Carlos Bezerra observou que os ganhos não são só para o setor privado, mas também para o setor público. Atualmente, a receita das exportações de milho de Mato Grosso não gera arrecadação ao Estado, devido à isenção da ICMS das exportações  de commodities; isso mudaria com a transformação em etanol.

 

 

 

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